Thiago Leite's profileTeia NeuronialBlogLists Tools Help
March 21

Mudança de Endereço

Para aqueles que ainda se dão ao trabalho de vir aqui, mesmo tendo as fortes perspectivas de não encontrar novidades, não estarei mais usando este espaço.
 
Ao invés disso, estarei com um sítio/site (blog, "diário" virtual, como quiserem):
 
 
Visitem-no, vejam-no, vençam-no.
October 27

Referendo, Reverência à Estupidez

ou Como Errar Metodicamente o Alvo
 
Quase todos os brasileiros votaram para decidir a aprovação ou não de uma lei para proibir a comercialização legal de armas de fogo.
 
Para não deixar dúvidas, antes de continuar a escrever sobre isso, vou dizer explicitamente o meu posicionamento. A princípio, por ser a favor do total desarmamento da humanidade, eu votaria sim. Eu votei no número 3, anulei meu voto de propósito. Não sou a favor de uma proibição, seja qual for. A questão é que proibir a venda legal de armas não impedirá ninguém de ter uma, e não estou falando só dos "bandidos". Tal proibição não mudaria de uma hora para outra a mentalidade das pessoas que andam armadas com suas pistolas e sua medíocre honra. Para haver desarmamento, é preciso que a tão ridiculamente louvada "valorização da vida" seja uma verdade difundida na mentalidade das pessoas. Não digo isso por ser contra a vida, pelo contrário, sou a favor da vida, mas a vida não deve ser defendida por uma imposição da lei, e sim por um costume libertário (que só poderia, parece-me, ser difundido por uma educação racional, humana e humanística). No entanto, por também não concordar com a venda de armas, não poderia votar "não" sem estar sendo incoerente com minhas idéias.
 
De qualquer forma, o referendo foi uma mostra de como um governo incompetente (não sei mais se lamento ou não ter votado no 13, ah, o número 13, azar ou sorte?) consegue errar com destreza o alvo. Antes de decidir sobre a proibição da venda de armas, seria preciso que a polícia (enquanto precisamos dela, espero que não para sempre) fosse melhor preparada e que o crime organizado e bem armado fosse desconstruído e desarmado. Mas isso ainda não ocorreu.
 
Mas o Referendo até que ajudou um pouco a fazer esquecer por algum tempo o escândalo do mensalão.
August 03

Concurso, Arte e Dinheiro

ou Boa Sorte ao Poeta que não é Poeta
 
Vou participar do 2o Concurso de Poesias Zila Mamede. Não estou nada preocupado com reconhecimento, não quero ser poeta (a não ser no estrito sentido de ser alguém que faz poemas, mas só o faço por hobby e, neste caso para ganhar dinheiro). Como dizem os parênteses, não entro no concurso para outra coisa senão ganharos R$ 2.000,00 (ou no mínimo os R$ 500,00). Menção honrosa... dispenso. Vou escolher os poemas dentre os que tenho guardados, talvez só 3.
 
Alguns amigos me diseram que tenho muita chance de ganhar. Ora, claro, são meus amigos (amigos, pelo menos a maioira deles, são aquelas pessoas que mais mentem a nosso respeito, o que é sua maior diferença em relação aos inimigos), mas sei que em parte estão certos. Em parte, primeiramente, porque sei que faço bons poemas (sei por mim, sem falsa modéstia, e por pessoas que sei que têm bom gosto). Em parte, segundamente, porque os tipos de poemas que faço valorizam muito a forma (a forma, digamos, formal da poesia - rimas, métrica, muitos são sonetos decassílabos), o que para nossos apreciadores de poesia de hoje não é lá tão valorizado. Como disse a um amigo recentemente, arte é em primeiro lugar forma, não consteúdo.
 
Boa sorte.
March 25

Alienígenas e Predadores

ou A Ficção Científica como Palco do Embate entre Masculino e Feminino

Um dia desses assisti a um dos filmes que tem sido um dos mais esperados em décadas pelos fãs do cinema de ficção científica. Depois de terem se encontrado nos quadrinhos, em dezenas de video games e terem sido motivação para muita imaginação, os "aliens" (dos filmes Alien: O Oitavo Passageiro, 1979; Aliens, 1986; Alien 3, 1992; e Alien: A Ressurreição, 1997) e os "predadores" (O Predador, 1987; O Predador 2, 1990) finalmente se encontraram (e se enfrentaram) no cinema.

Mas o que pode explicar tanta expectativa em relação a esse encontro de predadores? Seria a simples reposta a uma especulação de fãs quanto ao que resultaria do encontro entre as duas fictícias espécies alienígenas? Uma motivação política, esperando uma obra artística que retratasse de forma metafórica "a guerra entre o bem e o mal" (ou entre o Ocidente e o Oriente, ou entre o Primeiro Mundo e o Terceiro Mundo, ou entre Estados Unidos da América e o resto do mundo)?

Penso que não se trata de mero capricho hollywoodiano. Ora, embora o filme venha sendo prometido há muitos anos (e este que escreve foi um dos que o esperou ansiosamente), tudo indica que a idéia do embate entre esses alienígenas tenha surgido entre os fãs de cinema e ficção científica; apareceram assim muitas sugestões em diversos video games (como o famoso arcade Alien vs. Predator, da Capcom, que me divertiu muito nos meus 14 anos) e nos quadrinhos. Além disso, o público que ansiou por esse filme é restrito e específico demais, embora fiel. Tampouco a "motivação política" parece ter sido inspiração para a obra. Quando se trata de retratar questões, conflitos políticos, guerras etc., Hollywood nos "presenteia" com Rambo (1982), Nova Iorque Sitiada (1998) e outras coisas.

Ao assistir ao filme, veio-me à mente o livro As Estruturas Antropológicas do Imaginário, de Gilbert Durand. Notei que era possível enquadrar os aliens no regime noturno da imagem, de acordo com a classificação de Durand, enquanto os predadores se encaixam melhor no regime diurno. Sem me demorar numa explicação sobre o que é cada um desses regimes, contento-me em explicar que essa classificação significa que os aliens representam o feminino, enquanto os predadores são símbolos masculinos.

Uma das coisas que me chama atenção é a escolha da designação de cada espécie. Ambas são alienígenas (em inglês alien), e ambas são predadoras. Mas os aliens são mais animalescos, mais próximos da natureza, numa palavra, são mais orgânicos. Em nossa cultura ocidental androcêntrica, normalmente a mulher (e o feminino) é representada como mais próxima da natureza e, assim, um ser estranho em relação ao homem (e o masculino), que seria mais próximo da cultura. A mulher é tratada por nossas representações milenares como o segundo sexo, como um alienígena, uma criatura diferente do homem, sendo este tido como modelo de ser humano. O homem/macho, por sua vez, é o sexo guerreiro, suas motivações são vistas como as de um caçador em busca do sustento da família e também de um predador que luta por troféus (sejam riquezas ou mulheres).

Os aliens têm uma relação estreita com sua mãe, uma relação orgânica no sentido mais romântico que a semântica dessa palavra pode alcançar. São bem como abelhas ou formigas, o que pode nos autorizar pensar que são todos fêmeas, vivendo num mundo natural, biológico, como em nossa cultura se representa a mãe com os filhos, nos laços afetivos de um mundo feminino. Suas armas são seus próprios corpos, a cauda flexível e perfurante, o sangue ácido, a arcada bucal dupla e a hiper-resistente couraça. A relação que estabelecem com os protagonistas humanos é orgânica também, pois sua procriação depende de um organismo hospedeiro (no caso os humanos) na primeira fase da vida, e dos corpos humanos aprisionados para servir de alimento.

Já os predadores se caracterizam por ser mais individualistas, "livres" num sentido, sem um vínculo afetivo materno que lhes tolha a individualidade. Aparentam ser todos machos (possuem um físico masculino, segundo os padrões humanos), numa sociedade cooperativa-competitiva, em que lutam lado a lado mas parecem ter objetivos pessoais (que no entanto coincidem). Agem como heróis em busca de troféus de suas caçadas, e viajam pelos planetas em busca de satisfação para seu esporte. Suas armas sãp artificiais, lanças e garras retráteis, discos cortantes que voltam como bumerangues, lasers explosivos lançados de seus ombros, redes de aprisionamento, bombas (que podem usar para se matar, num gesto de honra masculina tipicamente conhecido entre guerreiros da Terra) e outras, além de uma armadura sem a qual podemos imaginar que seriam bem vulneráveis.

Resumindo, parece que esse embate simboliza uma querela que perdura entre seres humanos há muito tempo, e que sempre foi motivo para elaboradas teorias sexistas e piadas preconceituosas sobre mulheres e homens que parecem não perder a validade entre aqueles (muitos)  que pensam que está na natureza a origem das diferenças de comportamentos entre os machos e fêmeas humanos, e daí as desigualdades entre eles também.

March 20

O Inadaptado

ou Experiência Frustrada de um Antropólogo Eclético ao Tentar Aproximar-se dos Nativos da "Antropologia Social"

Na última sexta-feira eu soube do resultado da seleção para o Mestrado em Antropologia Social da UFRN, à qual eu concorria. Fizera uma prova de conhecimentos com bom resultado (sendo eliminatória, eu passei), uma prova de proficiência em língua inglesa muito boa (embora sem saber minha nota, sei que fui bem, achei a prova muito fácil) e uma entrevista que com certeza deixou a desejar para a comissão julgadora (por motivos de ordem ética e principalmente literários, já que não é minha intenção aqui atacar pessoas, mas criticar instituições, não revelarei os nome dos professores que fizeram parte dessa comissão).

Meu nome não estava entre os aprovados. Embora eu soubesse que a concorrência não era grande, que eu tinha plena capacidade de satisfazer as exigências da seleção, sabia de antemão que o projeto que apresentei, que tem um caráter estritamente teórico, com pesquisa bibliográfica, não agradaria aos docentes do DAN (Departamento de Antropologia) dessa Universidade, que têm uma obsessão por Etnografia, trabalho de campo que para eles é imprenscindível a qualquer pesquisa antropológica.

O tema da entrevista foi justamente o meu projeto. Para eles, eu parecia não ter uma visão clara do que é cultura; em meu projeto eu me propus investigar as representações ocidentais da mulher, vista como mãe e/ou como meretriz; para a comissão de seleção, a cultura é específica, e eu não poderia abordar o mundo ocidental como uma cultura. Mas assim eles querem ignorar que há coisas que não são específicas (o que é o estruturalismo de Lévi-Strauss senão a constatação de instituições universais?), e a delimitação de uma cultura depende da escolha do olhar do pesquisador. Além disso, o autor cuja teoria nortearia minha pesquisa, Gilbert Durand, com seu livro As Estruturas Antropológicas do Imaginário, foi apontado como não adequado por sua obra não ser a mais atual sobre o tema. A comissão ignorou, assim, a natureza de minha proposta, que era usar a obra de Durand como fundo teórico, já que eu não ignoro (e a comissão parece ter ignorado) que esse antropólogo francês não abordou o tema que eu propus.

Sinto-me inadaptado no meio acadêmico, e sei que muitos pensadores que lá estão também se sentem assim. Mas tenho a sorte de encontrar algum refúgio na Universidade para pensar a Ciência de uma forma mais aberta e menos preconceituosa. Esta geração, para criar uma Universidade digna deste nome, precisa se esforçar muito num debate sério e longo que revise o que é o Conhecimento.

Nota sobre o título: "O Inadaptado" é um capítulo do livro Sexo e Temperamento, da antropóloga norte-americana Margaret Mead, no qual ela discorre sobre aqueles indivíduos cujo temperamento não se adapta ao tipo de personalidade esperado para o seu sexo pela cultura em que estão inseridos.

March 17

Atualização

ou I Live Again!

Para ser bem sincero e direto, só estou postando este texto para manter o blog atualizado (e para dar um sinal de que ainda vou continuar com ele).

Não venho publicando aqui por várias boas razões, e não preciso listar todas elas (algumas não interessam a várias das pessoas que aqui comentam), apenas que estive ocupado estes dias com a seleção do Mestrado de Antropologia Social da UFRN.

Mas estou retomando o site, e logo, logo vocês verão novos textos pedindo por reflexão dos seus leitores e por comentários inteligentes que eu sei que aqueles que os lêem podedm fazer (agradeço a todos aqueles que já registraram sua passagem por aqui, todos vêm me ajudando muito).

Abraços.

February 24

Espelho Maldito

"Normalmente, parece que a gente somente se irrita com as pessoas que pensam e que agem como nós."

(Teresa Filósofa. Porto Alegre: L&PM, 2000. p. 111.)

 

Thiago Leite

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Minha quietude corporal esconde agitação nos pensamentos, como nos Vulcões de Florbela Espanca ("No gelo da indiferença ocultam-se as paixões...").
Sou neófilo, procuro a Ciência e me afasto da religião. "...o velho ditado "vox populi vox Dei" não se aceita em matéria científca." (C. Darwin)
"É preciso não freqüentar igrejas, quando se deseja respirar ar puro." (F. Nietzsche)
"É em nome do amor que mais se reprime." (L. Vicenzi)
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